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	<title>IKMR &#187; Depoimentos</title>
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	<description>Ou encontramos um Caminho ou abrimos Um</description>
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		<title>Seis histórias de refugiados sírios</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Dec 2013 12:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laís Em contexto]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Global]]></category>
		<category><![CDATA[siria]]></category>

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		<description><![CDATA[1 &#8211; Casamento no campo Os bombardeios frequentes forçaram Youssef Ahmed Mohammad, de 23 anos, a trocar Khirbet Ghazaleh pelo campo de Zataari, na Jordânia, em junho passado. No mercado, entre as tendas, ele avistou Samah al-Saud, de 24 anos. E conta ter visto um lampejo de beleza em meio à miséria da vida como refugiado. Quando soube que a jovem era da mesma cidade, a família entrou em ação para investigar. Dois meses depois, eles se casaram numa cerimônia improvisada, sem valor legal: não havia clérigo ou autoridade civil. — Estou feliz por ter casado, mas felicidade mesmo será voltar <a href="https://www.ikmr.org/2013/12/seis-historias-de-refugiados-sirios/"> <b>Saiba Mais</b></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-3101" alt="Casamento na Síria | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/casamentosiria-340x166.jpg" width="340" height="166" />1 &#8211; Casamento no campo</strong></p>
<p>Os bombardeios frequentes forçaram Youssef Ahmed Mohammad, de 23 anos, a trocar Khirbet Ghazaleh pelo campo de Zataari, na Jordânia, em junho passado. No mercado, entre as tendas, ele avistou Samah al-Saud, de 24 anos. E conta ter visto um lampejo de beleza em meio à miséria da vida como refugiado. Quando soube que a jovem era da mesma cidade, a família entrou em ação para investigar. Dois meses depois, eles se casaram numa cerimônia improvisada, sem valor legal: não havia clérigo ou autoridade civil.</p>
<p>— Estou feliz por ter casado, mas felicidade mesmo será voltar ao meu país. Eu não quero ter filhos nesta vida. É melhor morrer sem ter filhos na Síria do que trazê-los ao mundo como refugiados — diz Mohammad.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><img class="alignright size-medium wp-image-3102" alt="Idoso sírio sentado na cadeira de rodas | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/homemsirionacadeiraderodas-340x170.jpg" width="340" height="170" />2 - </strong><strong>Medo de morrer longe de casa</strong></p>
<p>Abdul Rahman Ahmed nasceu no Império Otomano. Completou 105 anos e há pelo menos 42 não tem dentes na boca.</p>
<p>— Minha esposa tirou-os com beijos — diz, bem-humorado.</p>
<p>Ele calcula ter tido seis mulheres, nove filhos, mais de 100 netos e pelo menos 150 bisnetos. Viveu quase toda a vida no vilarejo de Elmah, na Síria, onde trabalhava na lavoura, cuidando de trigo, lentilha, grão de bico e melancias. A guerra veio, a casa foi destruída por bombas lançadas por aviões do regime de Bashar al-Assad, e desde janeiro o ancião mora numa pequena tenda no campo de Zaatari, na Jordânia. Ele não usa óculos, não se preocupa com a saúde e nem aspirina toma — embora não dispense muitas balas, muitos copos de café preto forte e três maços de cigarro por dia.</p>
<p>Ele usa uma cadeira de rodas para se locomover pelas ruas poeirentas, mas gosta de dar alguns passos para fazer exercício. Sempre sorrindo e cercado de gente, Ahmed faz piadas e conta o segredo de sua longevidade:</p>
<p>— As chaves para a vida longa são cereais integrais, azeite de oliva, tabaco e Deus.</p>
<p>Mas ele confessa uma tristeza.</p>
<p>— Quando você sai de seu país é muito difícil. Aqui está ok, mas eu vivi na Síria por 104 anos, toda a minha vida na mesma vila. Mas, se eu tiver que morrer na Jordânia, morrerei na Jordânia — resigna-se.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><img class="alignright size-medium wp-image-3104" alt="Mulher Síria | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/mulhersiria-340x172.jpg" width="340" height="172" />3 - Ratazanas são distração de crianças</strong></p>
<p>Um ano atrás, Fathiya Ahmed, de 45 anos, vivia numa casa limpa e tranquila em Aleppo. O marido, motorista de táxi, ganhava pouco, mas o bastante para sustentar a família, até que estilhaços de uma bomba atingiram-no na cabeça. Ahmed morreu na hora. A família decidiu fugir. Hoje, ela divide um quarto com quatro filhas e dois filhos num abrigo improvisado em Gaziantep, na Turquia. Ratazanas passeiam entre os netos dela: as crianças gritam, mas cutucam o bicho com um pedaço de pau. Chuva, lama, fome e ratos são parte da rotina.</p>
<p>— Ficamos tristes por estar vivendo assim. Deixamos tudo para trás. E seja lá o que fosse, era melhor que isso — conta.</p>
<p>Um lojista turco distribui entre os refugiados sobras de tomates. Num fogão improvisado, viram um purê que alimenta a família:</p>
<p>— Pelo menos as ratazanas não gostam, é ácido demais para elas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><img class="size-medium wp-image-3105 alignright" alt="Menino refugiado usando óculos | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/garotolibanesoculos-340x169.jpg" width="340" height="169" />4 &#8211; Idas e vindas</strong></p>
<p>A família deixou a cidade de Homs sob fortes bombardeios em março de 2012 e hoje encontrou refúgio num shopping abandonado em Balamand, no Norte do Líbano. Mas a jornada não tem sido fácil. Ahmad al-Khalid foi diagnosticado com câncer aos 3 meses de idade. O menino perdeu o olho esquerdo para o câncer antes mesmo de seu primeiro aniversário. Agora, prestes a completar 2 anos, sua mãe teme que ele perca o outro olho: refugiados não têm acesso à saúde gratuita no Líbano.</p>
<p>A mãe decidiu então se arriscar para levar o pequeno para se submeter ao tratamento de quimioterapia em Damasco onde, curiosamente, o mesmo regime que bombardeia escolas e hospitais ainda provê assistência médica gratuita.</p>
<p>— Eu faria qualquer coisa pelos meus filhos — garante.</p>
<p>Os dois se arriscaram e fizeram várias visitas à capital síria. De volta ao Líbano, os médicos dizem que a situação da criança está estável há alguns meses.</p>
<p>Quando a família respirava um pouco mais aliviada, outra bomba: o irmão mais velho, Mohammad, de quase 4 anos, também teve descoberto um câncer no olho. Ele está recebendo tratamento com laser pago por uma instituição de caridade. E usa um óculos de plástico azul que ganhou de presente dos médicos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> <img class="alignleft size-medium wp-image-3110" alt="Engenheiro de Aleppo | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/homemdealeppo-340x168.jpg" width="340" height="168" />5 - </strong><strong>Renda cai de R$ 12 mil a R$ 700</strong></p>
<p>Aos 34 anos, Munir Khaltoum estudou Engenharia Elétrica. Na sua Aleppo, construía casas e hospitais, empregava 80 pessoas e ganhava R$ 12 mil por mês. Em janeiro passado, ele teve a casa bombardeada e fugiu com a mulher, grávida de oito meses, para outro vilarejo, onde viviam parentes. Mas a violência os perseguiu, e a saída foi cruzar para a Turquia. Com os cabelos grisalhos, hoje ele trabalha ao lado de outros 20 refugiados sírios como costureiro. As jornadas de 11 horas lhe rendem cerca de R$ 700 por mês — metade do que recebem os funcionários turcos.</p>
<p>— Perdi tudo, mas posso compensar com trabalho duro — diz ele, que paga R$ 600 no aluguel do apartamento que divide com os quatro filhos, a esposa e a família dela, 11 pessoas no total.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><img class="alignright size-medium wp-image-3111" alt="Bebê sírio | IKMR" src="https://www.ikmr.org/wp-content/uploads/2013/12/bebesirio-340x193.jpg" width="340" height="193" />6 - Memória da guerra gravada no nome</strong></p>
<p>Hanana Assaad, de 32 anos, já tinha tido seis filhos, mas, em maio, teve medo de perder o sétimo. Pouco depois de fugir do vilarejo sírio de al-Nawa, ela viu sua bolsa estourar. Andou com dificuldade até a clínica da ONU no campo de Zaatari, na Jordânia, e esperou muito para ser atendida. O bebê estava nascendo três semanas antes do tempo, e ela se culpava: na Síria, comia frutas e legumes. No campo, só arroz e lentilhas. Além disso, estava tensa e insone.</p>
<p>— Tive medo de perdê-lo por causa do estresse das bombas, dos tiros e da fuga — conta.</p>
<p>Apesar de tudo, o pequeno Khalid Nedhal al-Saawdeh nasceu saudável. Quando as enfermeiras disseram que era um menino, Hanana sorriu pela primeira vez desde que ali chegou. Ela vinha rezando por um filho homem para homenagear o tio do marido, levado de dentro de casa pelas forças do regime sírio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fonte:</strong><a title="Seis histórias de refugiados sírios" href="http://oglobo.globo.com/mundo/seis-historias-de-refugiados-sirios-11087654" target="_blank"> Globo</a></p>
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